¹⁷ Desde a minha juventude, ó Deus, tens me ensinado, e até hoje eu anuncio as tuas maravilhas.
¹⁸ Agora que estou velho, de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus, para que eu possa falar da tua força aos nossos filhos, e do teu poder às futuras gerações.
Salmos 71:17-18

No início de agosto, eu e Maggie tivemos a oportunidade de ser convidados para liderar um retiro de três dias e duas noites organizado pelo Ministério da Terceira Idade do Presbitério, com a participação de quase cinquenta pessoas . O tema do retiro foi “Envelhecer sem deixar espaços em branco”, e, juntos com os participantes, refletimos a Palavra de Deus sobre como continuar vivendo com propósito e significado, mesmo ao entrar em diferentes fases da vida.
As igrejas chinesas no Brasil já têm uma história de mais de sessenta anos. Muitos da primeira geração que vieram ao Brasil como imigrantes naquela época hoje já estão na terceira idade. Ao olharmos para os anos difíceis do início da imigração, vemos que esses irmãos enfrentaram muitos desafios: a adaptação à língua e à cultura, as pressões do trabalho e diversas dificuldades relacionadas à vida e às condições econômicas. Entretanto, mesmo em meio a tantas dificuldades, eles nunca se esqueceram da fé. Pelo contrário, dedicaram os seus tempos, recursos e dons para estabelecer as igrejas, servir a Deus e deixar para as gerações seguintes um sólido fundamento de fé.
Agora, ao entrarem na última fase da vida, desejamos, ainda mais, que, por meio da Palavra de Deus, eles possam compreender que a velhice não é o fim da vida, mas uma nova etapa na qual ainda podem ser usados por Deus e tornar-se bênção para outras pessoas.
Durante o retiro de três dias e duas noites, eu e Maggie compartilhamos quatro mensagens com os participantes, refletindo sobre quatro importantes temas para a vida: “Aproveitar o hoje”, “Preparar o amanhã”, “O que ainda tenho?” e “O que posso deixar?”.
Esperamos que, por meio dessas mensagens, os irmãos da terceira idade possam continuar vivendo esta fase da vida de maneira ativa e alegre, encontrando significado e propósito em sua caminhada. Que, ao pensar no fim da vida, não sejam dominados pelo medo, mas tenham esperança por confiarem em Deus. Que não olhem apenas para o passado, mas também reflitam sobre como viver o presente, como preparar-se para o amanhã e, principalmente, sobre o que poderão deixar para a próxima geração como fruto de toda a sua vida.
Durante os dias que passamos juntos, as risadas estiveram sempre presentes entre nós. Os participantes compartilharam suas experiências de vida e suas experiências na fé, e juntos contamos as bênçãos e as obras de Deus em nossas vidas. Por meio de seus testemunhos, pudemos ver muitas evidências da fidelidade e da direção de Deus, e também perceber como a vida de uma geração pode se tornar uma bênção para a geração seguinte. Ao final do retiro, muitos expressaram o desejo de que a igreja possa promover mais oportunidades como essa, para que todos possam caminhar juntos, aprender uns com os outros e continuar crescendo na fé.
No final de agosto, voltei à Igreja de Manaus. Há cinquenta e quatro anos, essa igreja foi estabelecida na região amazônica do Brasil. Embora tenha passado longos períodos sem um pastor fixo para cuidar da igreja, pudemos ver que Deus sempre foi o seu Supremo Pastor, guardando e conduzindo pessoalmente a Sua igreja.
Com um só coração e em unidade pelos irmãos , a fé dessa igreja pôde ser transmitida de geração em geração. O fundamento da fé estabelecido pelos irmãos mais velhos no passado tornou-se, hoje, um meio pelo qual os novos imigrantes podem conhecer o Evangelho. Pessoas de diferentes gerações também podem adorar, servir e experimentar juntas a graça de Deus nesta igreja.
Na Igreja de Manaus, pude perceber de maneira especial o importante papel desempenhado pelos irmãos da terceira idade. Eles não são apenas testemunhas da história da igreja, mas também exemplos de fé para a próxima geração e verdadeiros guerreiros de oração. Mesmo com um número reduzido de membros, continuam fielmente a vigiar, orar e servir, fazendo com que essa igreja continue sendo um instrumento nas mãos de Deus.
Isso me levou a refletir novamente: a continuidade da igreja não significa apenas preservar a igreja, mas, acima de tudo, transmitir a fé às próximas gerações.
O fato de as igrejas chinesas no Brasil terem caminhado por mais de sessenta anos, chegando até mesmo a estabelecer uma igreja na região amazônica e permanecendo firmes até hoje, não se deve apenas às estruturas que os irmãos mais velhos construíram no passado, mas, sobretudo, ao testemunho de fé que deixaram por meio de suas próprias vidas.
Por isso, quero orar de maneira especial pelos irmãos da terceira idade das igrejas chinesas no Brasil. Por causa de sua dedicação, contribuição e fidelidade no passado, as igrejas, sob a direção de Deus, puderam caminhar de geração em geração, permitindo que o bastão do Evangelho continue sendo passada à próxima geração.
Que não apenas agradeçamos à geração anterior, mas também saibamos valorizar, acompanhar e respeitar esses pioneiros da fé. Que a nova geração possa olhar para suas vidas e enxergar uma fé verdadeira, um serviço fiel e o belo testemunho de uma vida inteira seguindo a Cristo.
Que, nesta última fase da vida, os irmãos da terceira idade continuem sabendo que são pessoas amadas por Deus e que ainda podem ser usadas por Ele. Mesmo quando as forças físicas diminuem gradualmente, que continuem servindo ao Senhor por meio da oração, de suas vidas, de seus testemunhos e de sua sabedoria.
Que suas vidas não sejam vividas em branco e que os anos da velhice continuem produzindo bons frutos. Que o caminho percorrido ao longo de toda a sua vida se torne uma bênção para a próxima geração. E que aquilo que deixarem não seja apenas uma lembrança, mas uma fé que continue sendo transmitida de geração em geração.

Pr. Jônatas Chen

留下您的評論

請填寫您的評論!
請填寫你的姓名